Prainha de São Pedro
Contornámos o Forte, toalhas
enroladas ao pescoço, bolas de Berlim na mão.
- Não venham tarde. – Gritou o pai enquanto descia em direção à Ribeira para se juntar aos pescadores de Linha.
Descemos os poucos degraus que nos
levavam à praia e vimos, lá em cima, os turistas a entrar no Forte. Até nós
chegavam-nos palavras familiares de tanto as ouvirmos.
- Faz de conta que és o Álvaro Cunhal! Salta! Atira-te! - E riamos.
Eles lá em cima, eu cá em baixo, à espera de os
ver atirar-se um a um. O meu irmão, depois o Samuel, depois o Luís.
- Atira-te, merdas!
- 25 de abril, sempre!
E foi quando o medo se começou a
apoderar de mim. Um desconforto, um receio, uma inquietação. Qualquer coisa que
eu não sabia dar o nome mas que me toldava os pensamentos.
- O Abel? O Abel ainda está na água? - Perguntou o Luís.
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